sábado, outubro 27, 2012

Jornada de loucos

Benfica desilude, Braga ainda sonhou e FC Porto imbatível



A jornada europeia para as equipas portuguesas começou da pior forma com um saldo de uma vitória e duas derrotas.
Em Moscovo, o Benfica foi o primeiro representante luso a entrar em campo e a temperatura que se registava na Rússia parece mesmo ter gelado os encarnados que entraram de forma desastrosa na partida. Logo no primeiro minuto o Spartak dispôs de uma soberana ocasião de golo, mas Artur evitou a alteração no marcador. O susto não acordou a equipa e, dois minutos depois, Matic perdeu a bola de forma infantil no meio-campo, Bilyaletdinov conduziu o contra-ataque pela direita e ofereceu o golo a Rafael Carioca que, na cara do guardião brasileiro não falhou.
Mesmo em desvantagem, o Benfica nunca conseguiu reagir e impor o seu jogo. Só aos 32 minutos, na sequência de um cruzamento da direita de Salvio, Lima conseguiu antecipar-se à defensiva russa e, ao primeiro poste, cabeceou para o fundo da baliza de Artem Rebrov.
No entanto, esta não era claramente a noite dos encarnados uma vez que, ainda antes do intervalo, o Spartak voltou novamente para a frente do marcador. Ao tentar interceptar um cruzamento do lado direito do ataque moscovita, Jardel introduziu a bola na própria baliza.
A segunda parte não trouxe grandes mudanças, o Benfica nunca conseguiu criar oportunidades de golo flagrantes e até podia ter saído da Rússia com mais um ou dois golos encaixados. Com esta derrota, a equipa de Jorge Jesus está "obrigada" a vencer os dois jogos em casa e a esperar que não haja surpresas nas restantes partidas se quiser seguir em frente nesta edição da Champions.

Em Old Trafford, o "grande" SC Braga visitou o gigante Manchester United e não podia ter entrado melhor. Destemida, consistente e corajosa a equipa de José Peseiro encarou olhos nos olhos os red devils e chegou mesmo à vantagem aos 2 minutos por intermédio de Alan. Uma entrada de sonho que moralizou a equipa e aumentou ainda mais os níveis de confiança, tanto que à passagem dos 20 minutos, Éder teve um lance de génio pela esquerda, fez uma maldade a Carrick e cruzou rasteiro para o capitão que, de primeira, aproveitou para bisar.
Com grande organização, consistência defensiva e qualidade nos processos ofensivos, o SC Braga controlava por inteiro a partida e causava uma das maiores surpresas da noite europeia. No entanto, cinco minutos depois, o United reduziu por Chicharito que correspondeu da melhor maneira a um cruzamento do lado esquerdo de Kagawa.
Com este golo os comandados de Sir. Alex Ferguson equilibraram o jogo, aceleraram os processos e conseguiram chegar com mais perigo junto da baliza de Beto. Esta mudança de tendência acentuou-se ainda mais na segunda parte com os ingleses a imporem um ritmo bastante elevado e a exercerem grande pressão sobre a equipa minhota. Aos 62 minutos, a estratégia deu mesmo frutos e o Manchester United conseguiu igualar o marcador através de Evans que, no meio da confusão dentro da área, conseguiu empurrar a bola para a baliza. A reviravolta ficou consumada quando faltava jogar apenas o último quarto de hora com Chicharito a bisar e a acabar com as esperanças dos Guerreiros do Minho.

No Estádio do Dragão o campeão nacional FC Porto teve que se impor para levar de vencido o Dínamo de Kiev. Contudo, os azuis e brancos até entraram melhor e, aos 15 minutos, Lucho combinou com Jackson, fugiu pela direita de onde cruzou para Varela inaugurar o marcador com um petardo que só parou no fundo das redes de Shovkovski.
No entanto a vantagem portista durou apenas seis minutos pois, na sequência de um canto cobrado do lado direito por Miguel Veloso, Gusev cabeceou para o golo da igualdade.
O FC Porto não ficou afectado com o golo sofrido e continuou a dominar e a marcar o ritmo do jogo até passar novamente para a frente do marcador. Aos 32 minutos, um passe de mestre de James isolou Jackson que não tremeu e fez o 2-1.
Na segunda parte os ucranianos entraram decididos a chegar ao empate e só Hélton o foi adiando com três defesas de grande nível. A excepção aconteceu aos 72 minutos. Yarmolenko isolou Ideye que, depois de fugir a Maicon, fuzilou o guarda-redes brasileiro.
Após estar em vantagem por duas vezes e conceder o empate em ambas, a equipa de Vítor Pereira voltou a reagir da melhor maneira e conseguiu chegar à vitória através de Jackson Martínez. Ao corresponder a um passe de Lucho da direita, o colombiano bisou e deu os três pontos e o primeiro lugar do grupo aos dragões.

Com estes resultados, o FC Porto é primeiro classificado do grupo A com 9 pontos, o Benfica está no último lugar do grupo G com apenas um ponto, enquanto o SC Braga ocupa o terceiro posto do grupo H. Na próxima jornada os dragões deslocam-se a Kiev, os encarnados recebem o Spartak de Moscovo e os bracarenses jogam em casa com o Manchester United.

sábado, outubro 20, 2012

E o próximo será...




Mergulhado numa profunda crise económica e desportiva, o Sporting procura recuperar a estabilidade e voltar aos melhores resultados.
Depois da saída de Sá Pinto do comando técnico, o presidente Godinho Lopes decidiu dar um voto de confiança a Oceano e entregou-lhe a responsabilidade de liderar a equipa até que fosse encontrado um novo treinador.
Nos últimos dias as negociações não têm conhecido desenvolvimentos e, apesar de terem já sido apontados vários nomes como Co Adriaanse, Ernesto Valverde, Luiz Filipe Scolari e Luís Henrique, ainda não saiu fumo branco do conclave leonino.
No entanto, o perfil do novo treinador está há muito traçado. O conhecimento do futebol português, o espírito de liderança e uma carreira marcada por conquistas são algumas das principais características que a direcção sportinguista procura no novo técnico.
Contudo, a questão central neste momento é: qual o treinador que, tendo estas credenciais, está disposto a arriscar a sua carreira por um desafio como este?
Numa primeira análise, até pode parecer um exagero, mas a realidade é mesmo esta. O Sporting atravessa talvez a maior crise da sua história. Para além dos problemas financeiros que são de conhecimento público, a equipa de Alvalade tem sido nos últimos anos, como afirmou o próprio Godinho Lopes, um autêntico “viveiro de treinadores queimados”. Após a saída de Paulo Bento no início da época 2009/2010, já passaram por Alvalade cinco treinadores – Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio, José Couceiro, Domingos Paciência, Sá Pinto – e nenhum teve sucesso, acabando por não resistir aos maus resultados.
Deste modo, o Sporting constitui actualmente um desafio de risco para qualquer treinador, sendo por isso normal as dificuldades com que os dirigentes se têm deparado na procura de alguém que possua os atributos exigidos e a coragem para assumir esta grande responsabilidade, sabendo da enorme pressão a que estará sujeito.
Assim, a verdade é que, seja qual for o treinador que aceite comandar os destinos verde e brancos neste momento, não lhe são esperadas facilidades. Talvez o barco leonino tenha menos probabilidades de afundar num Oceano já conhecido. 

terça-feira, outubro 02, 2012

Choque de titãs

Benfica recebe Barcelona e Braga visita o Galatasaray




O Benfica recebe hoje o Barcelona no Estádio da Luz num jogo a contar para 2ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões.
Sem poder contar com Luisão, que se encontra castigado, e com Cardozo, ainda a contas com problemas físicos, Jorge Jesus deu a oportunidade ao jovem da equipa B André Gomes para entrar na convocatória, bem como a Aimar que recuperou da lesão que o impediu de dar o contributo à equipa nas últimas partidas.
Depois do empate no Celtic Park, os encarnados defrontam agora o conjunto de Tito Vilanova que promete causar muitas dificuldades. No entanto, o treinador das águias já alertou para a necessidade de "correr atrás da bola", lembrando que "pontuar com o favorito é positivo".
Do lado dos catalães, o destaque vai para os regressos de Iniesta, Puyol e Adriano que falharam por lesão a deslocação do último sábado a Sevilha no jogo da 6ª jornada do campeonato espanhol. Fora das contas do treinador blaugrana estão Piqué, que continua lesionado, e Thiago Alcântara, que contraiu uma lesão joelho esquerdo no jogo do passado fim-de-semana.
A última visita do Barcelona ao ninho da águia aconteceu na época 2005/2006 e o resultado final foi de 0-0.
Também o SC Braga entra hoje em campo na Turquia onde irá medir forças com o Galatasaray. Na antevisão da partida, José Peseiro confessou que um empate fora "não seria um mau resultado", deixando o aviso de que para o conseguir é preciso a equipa "estar em grande nível". A convocatória minhota conta com os regressos de Salino, Ismaily e Zé Luís, ao passo que Élderson - que foi titular na vitória frente ao Vitória de Guimarães - não entra nas contas de Peseiro. Carlão, que ainda se encontra lesionado, é baixa certa.
Preocupado com as possíveis ausências de Hamit Altintop, antigo médio do Real Madrid, e do avançado Elmander, que sofreu uma intoxicação alimentar, o treinado Fatih Terim teceu rasgados elogios à equipa bracarense afirmando que se trata de "uma das melhores equipas da Europa".
O treinador que, em 1999/2000, conduziu o Galatasaray à conquista da Taça UEFA (actual Liga Europa), avisou que, para vencer o jogo, é necessário ser "paciente", apelando ao apoio dos adeptos que considera ser essencial.
Na 1ª jornada desta fase de grupos, o SC Braga foi derrotado em casa pelo Cluj, enquanto os turcos venderam cara a derrota em Old Trafford.


quinta-feira, setembro 20, 2012

Jornada difícil para equipas portuguesas




As equipas portuguesas presentes na Liga dos Campeões não tiveram vida fácil nesta primeira jornada. Uma vitória, um empate e uma derrota foram os resultados de FC Porto, Benfica e SC Braga.
O FC Porto foi a primeira equipa a entrar em campo. Em Zagreb, os azuis e brancos dominaram a partida desde o início, enquanto o Dínamo apostava no contra-ataque. Esse domínio reflectiu-se no golo alcançado aos 41 minutos através do mais recente capitão Lucho. O médio, que horas antes tinha recebido a triste notícia do falecimento do seu pai, optou por jogar e marcou mesmo na recarga ao cruzamento de Alex Sandro que o guarda-redes Kelava defendeu para a frente. Na segunda parte, a tendência de jogo permaneceu inalterada, o FC Porto continuou a dominar e a pautar o ritmo de jogo, chegando ao 0-2 já em cima da hora através de Defour.
Consciente que a história não estava do seu lado, o Benfica entrou no Celtic Park sem Luisão e sem Maxi Pereira, ambos castigados. Os encarnados iniciaram o jogo algo nervosos e foi o Celtic a comandar as ocorrências. A primeira parte ficou marcada por muita luta a meio campo, muitas perdas de bola e muitas faltas cometidas, pelo que as oportunidades de golo foram escassas. No entanto, aos 31 minutos, Rodrigo surgiu na cara do guarda-redes Forster, foi derrubado e ficou a pedir penalti, mas o árbitro Nicola Rizzoli nada assinalou. Depois do intervalo, e já com Cardozo e Bruno César em campo, o Benfica soltou-se mais e conseguiu chegar com algum perigo junto da baliza escocesa mas o resultado não se alterou. Manteve-se a maldição de Glasgow!
Por seu lado, o SC Braga recebeu os romenos do Cluj com imensa expectativa por parte dos seus adeptos. Com Manchester United e Galatasaray a completarem o grupo, os minhotos tinham quase a obrigação de vencer para alimentar esperanças de chegar aos oitavos-de-final e até entraram melhor no jogo, mas foi num contra-ataque rapidíssimo conduzido pelo nosso conhecido Sougou, que o Cluj chegou à vantagem através de Rafael Bastos, precisamente um ex-jogador do SC Braga. Contudo, a equipa de José Peseiro respondeu da melhor maneira e podia ter chegado ao empate por duas vezes, primeiro por Mossoró e depois por Hugo Viana. Duas oportunidades falhadas que custaram caro pois, aos 34 minutos, Rafael Bastos bisou numa jogada em que ultrapassou vários adversários pelo corredor esquerdo antes de fuzilar Beto. Na segunda parte, o SC Braga tudo fez para chegar ao golo, beneficiou de mais três boas ocasiões para marcar, mas o guarda-redes Mário Felgueira rubricou um leque de grandes defesas que mantiveram o resultado até ao apito final.
Com estes resultados, o FC Porto subiu ao primeiro lugar do grupo A juntamente com o PSG, o Benfica ocupa o segundo lugar do grupo G a par do Celtic e o SC Braga é o último classificado do grupo H com 0 pontos, os mesmos do Galatasaray.
Na próxima jornada o FC Porto recebe o PSG, o Benfica defronta o Barcelona na Luz e o SC Braga desloca-se à Turquia para defrontar o Galatasaray.

terça-feira, setembro 18, 2012

"Hart", engenho e golo de Ronaldo na vitória do Real


Jogo de loucos no Bernabéu 


Depois de ter afirmado que “não tinha equipa”, José Mourinho preparou uma remodelação no onze para o confronto da 1ª Jornada da Liga dos Campeões frente ao Manchester City. Deixou Sérgio Ramos no banco, lançando o jovem Varane no centro da defesa e apostou em Essien para formar o triângulo do meio campo com Khedira e Xabi Alonso com o intuito de travar o poderio ofensivo dos citizens.
A mensagem no balneário parece ter passado e o Real Madrid entrou em campo totalmente transformado daquele que se apresentou no fim-de-semana em Sevilha. Muito pressionante, com muita assertividade no momento do passe, muita confiança na elaboração de jogadas ofensivas e sempre com uma agressividade na procura da bola que impediu que o City criasse perigo.
Cristiano Ronaldo entrou a todo o gás e iniciou um duelo interessante com Joe Hart que se prolongaria durante toda a partida. Foram várias as vezes em que o português tentou chegar ao golo através de potentes remates de fora da área, mas o guardião inglês estava em noite inspirada.
Também Higuaín e Khedira tiveram a oportunidade de inaugurar o marcador mas ambos não conseguiram desfeitear Hart.
A segunda parte começou da mesma maneira que acabou a primeira. Maior iniciativa do Real, enquanto o City demonstrava grande consistência e equilíbrio a defender.
Mancini foi o primeiro a arriscar e lançou no jogo Dzeko para o lugar de David Silva. Mourinho respondeu logo a seguir e substituiu Essien por Özil mas foi o City a chegar primeiro ao golo. Yaya Touré libertou-se de três adversários e serviu Dzeko que, na cara de Casillas, fez o 0-1.
Em desvantagem, Mourinho arriscou tudo e fez entrar Módric e Benzema de uma assentada. Os merengues voltaram à carga, mas Touré até poderia ter feito o segundo. A bola passou ao lado e no minuto seguinte Marcelo empatou. Depois de duas tentativas de pé esquerdo, o lateral brasileiro puxou dos galões e de pé direito colocou o Real de novo na luta pela vitória.
Aos 86 minutos, na cobrança de um livre lateral, Kolarov marcou o segundo para os ingleses e silenciou o Bernabéu.
Mas as surpresas ainda só iam a meio! Dois minutos depois, Benzema restabeleceu o empate num remate à meia volta e devolveu a esperança aos adeptos.
Já no último minuto, e no seu décimo remate à baliza de Joe Hart, Ronaldo deu a vitória ao Real Madrid e fez José Mourinho saltar do banco e demonstrar toda a sua euforia de joelhos no relvado.
Um jogo de loucos que recuperou a alegria de Ronaldo e a “equipa” de Mourinho!

segunda-feira, setembro 17, 2012

Primeiro teste milionário


Dragões e Águias apresentam-se pela primeira vez sem Hulk e Witsel


Depois dos compromissos das Selecções, FC Porto e Benfica regressam à competição e, mais propriamente, à Liga dos Campeões, onde discutem os primeiros pontos da época na fase de grupos.
Os azuis e brancos estreiam-se este ano na maior competição de clubes da Europa numa visita a Zegreb para defrontar o Dínamo, enquanto as águias se deslocam à Escócia para medir forças com o Celtic de Glasgow.
Apesar de se tratarem de jogos da Champions, a maior curiosidade em ambas as partidas será certamente descobrir como as duas equipas vão entrar em campo depois das saídas de duas pedras fundamentais – Hulk no FC Porto e Witsel no Benfica.
Sem o Incrível, o FC Porto terá seguramente menos capacidade explosiva, menos potência e menos velocidade. Perdeu-se o jogador que resolvia quando o colectivo não funcionava e, por isso, Vítor Pereira terá que arranjar uma solução no plantel, uma vez que não é possível ir ao mercado. James parece ser o seu natural substituto e até já recebeu o aval do próprio Hulk que assegurou que o jovem colombiano o fará esquecer no seio dos adeptos.  
Assim, frente ao Dínamo de Zagreb, o FC Porto apresentará uma frente de ataque inédita composta por Varela na direita, James na esquerda e Jackson Martínez na frente.
Do lado do Benfica, a saída de Witsel para o Zenit parece ter criado mais problemas. Depois de Javi Garcia ter rumado ao Manchester City dois dias antes, Jorge Jesus viu partir um dos seus mais influentes jogadores. Witsel era o chamado box-to-box no Benfica, o pronto-socorro que defendia bem, atacava bem, ocupava os espaços, marcava golos e até substituía Maxi Pereira no lado direito da defesa quando o uruguaio estava impedido de dar o seu contributo.
Com a sua saída e com a escassez de médios centro no plantel, o treinador encarnado vê-se obrigado a moldar a equipa a outros princípios de jogo e, possivelmente, a outro sistema táctico. Carlos Martins, Aimar e Bruno César são as alternativas possíveis.
Antevê-se assim uma prova de fogo para FC Porto e Benfica que servirá para avaliar a capacidade de adaptação às circunstâncias de Vítor Pereira e Jorge Jesus. 



quinta-feira, setembro 06, 2012

Mónica Mendes - a heroína nacional


«Foi um sentimento único, sensacional, indescritível, inexplicável, fenomenal e histórico» - Mónica Mendes


Mónica Mendes é jogadora da Selecção Nacional de Futebol Feminino e foi a autora do golo à Bélgica que apurou Portugal para a primeira fase final de um Campeonato da Europa de Futebol Feminino que se realizou em Julho, na Turquia. 
Em entrevista exclusiva, dá-nos a conhecer alguns pormenores da sua carreira, o que sentiu no momento em que viu a bola entrar no jogo com a Bélgica e as emoções que viveu ao representar Portugal num Campeonato da Europa.



Fábio Aguiar: Como nasceu a tua paixão pelo futebol?
Mónica Mendes: Desde pequenina sempre acompanhei o meu pai para tudo. Ele foi guarda-redes durante 20 anos e agora ensina futebol em escolas e colégios como modalidade extracurricular. Eu como acompanhava o meu pai para todo o lado, comecei a ir para as aulas dele desde os meus 3 anos. Foi aí que tudo começou.

FA: Quando decidiste envergar por este caminho, como foi a reacção da tua família?
MM: A minha família é toda ligada ao desporto, portanto respira-se desporto na minha casa. Eu sempre fiz muito desporto e cheguei mesmo a competir por dois desportos ao mesmo tempo desde muito cedo até ao ano passado. A reação da minha família foi normal, apoiaram-me desde início, porque eu no fundo estou a fazer algo que gosto, que me faz feliz e que me realiza como pessoa e como atleta.

FA:Depois de duas épocas ao serviço do 1º Dezembro, como surgiu a oportunidade de representar os Scorpions (UTB - University of Texas at Brownsville)?
MM: Apesar de eu fazer muito desporto desde pequenina, como referi anteriormente, nunca meti a escola de lado e apesar do pouco tempo que tinha para estudar, sempre dei o meu máximo para obter o melhor rendimento escolar. Esta oportunidade surgiu porque o treinador da minha Universidade estava a precisar de jogadoras e entrou em contacto comigo, através da Profª Mónica Jorge, e sendo eu uma atleta internacional, uma vez que jogava pela Seleção Nacional Portuguesa Sub-19, e ao mesmo tempo uma estudante que estava acabar o secundário, com boas notas, ofereceram-me uma bolsa de estudo de atleta-estudante, o que me proporciona conciliar os meus estudos e jogar futebol num nível superior em relação a Portugal, pois as condições que oferecem são diferentes. 

FA: Como descreves esses momentos vividos nos EUA?
MM: Uma aventura muito positiva, onde estou aprender bastante tanto na parte pessoal como na parte futebolística.

FA: Estás a iniciar outra nova aventura nos EUA. Que expectativas tens para esta nova etapa no DC United?
MM: Quanto ao DC United Women é uma competição aparte, ou seja, é um clube que está inserido no campeonato semi- professional (W-League) e sub-20 (W- League USL) dos EUA durante três meses (Maio, Junho e Julho). Como tal, esta foi a minha primeira experiência num campeonato deste nível e a treinar com jogadoras de top mundial, visto que uma das minhas colegas pertence à Seleção principal dos  EUA (esteve agora a disputar os Jogos Olímpicos onde se sagrou Campeã Olímpica) entre outras que são presença assídua nos diversos escalões. Apesar de treinar com as duas equipas acabei por ser titular e jogar todos os jogos, em que estive presente, pelas sub-20. Fizemos um grande campeonato visto que ganhámos a conferência e apurá-mo-nos para as finais dos EUA onde em quatro dias tivemos quatro jogos de grande intensidade debaixo de uma temperatura que quase estorricava. Conseguimos chegar à final e sagrá-mo-nos Vice Campeãs dos EUA em Sub-20, o que é algo muito difícil visto que há centenas de equipas e estamos a falar de um país com 52 estados (só para termos noção do quanto difícil é chegar à fase final). Resumindo, estes três meses foram simplesmente memoráveis e não podia pedir mais…fomos fantásticas!


FA: Representar a Selecção Nacional sempre foi o teu grande sonho?
MM: Sim! Representar a Seleção Nacional sempre foi o meu grande sonho. Eu sou uma pessoa que amo literalmente o meu País. Desde sempre fui uma pessoa muito patriota e nacionalista e por isso ter a oportunidade de representar a Seleção Nacional foi algo que sempre ambicionei para a minha vida desportiva.

 FF: Qual a tua primeira internacionalização?
 MM: A minha primeira chamada à Seleção foi em Agosto de 2008. No entanto, não tinha idade para participar no 1º torneiro de apuramento para o Campeonato da Europa e por isso a minha primeira internacionalização foi no dia 7 de Abril de 2009 frente à Bélgica nos jogos de preparação para o 2º mini torneio de apuramento para o Campeonato da Europa 2009.

FA: O golo marcado à Bélgica que apurou Portugal para o Europeu Feminino de Sub-19 foi, certamente, um momento marcante na tua carreira. O que sentiste nos momentos seguintes a esse grande feito?
MM: Este foi sem dúvida um dos momentos mais marcantes na minha ainda jovem carreira desportiva e será para sempre um momento de pura felicidade quando se falar da história do futebol feminino português. Considero um golo de equipa e não individual e por isso o que senti foi euforia total. Desde que marquei o golo até voltar para os EUA (quatro dias depois), senti algo que nunca tinha sentido… não conseguia respirar bem e chorava de tremenda euforia, arrepiava-me ao ler as notícias, não conseguia ver fotos ou vídeos porque desatava a chorar de enorme felicidade e o meu coração batia como nunca! Foi um sentimento único, sensacional, indescritível, inexplicável, fenomenal e histórico. Foi um feito que jamais esqueceremos e não há palavras para descrever o que aconteceu naquele dia na Figueira da Foz!


FA: Representar o seu país num Campeonato da Europa é o sonho de qualquer jogadora ou qualquer atleta. Que emoções tiveste ao ouvir o hino nacional no primeiro jogo na Turquia?
MM: Este dia não foi só o primeiro jogo do Europeu, mas sim o primeiro jogo de uma Seleção Portuguesa Feminina numa fase final de um Campeonato da Europa e nós estávamos lá. Já por si era um momento especial e marcante nas nossas vidas e quando ouvi o hino foi mais um momento de tremenda alegria onde não consegui conter a minha emoção. Por mais que tente dizer o que senti naquele momento, não há palavras para descrever.

 FA: Qual o melhor momento da tua carreira?
MM: O melhor momento da minha carreira como futebolista, até ao momento, foi sem dúvida termos conseguido apurar-nos e ter representado Portugal ao mais alto nível numa fase final do Campeonato da Europa 2012 na Turquia.


FA: Em Portugal, o futebol feminino ainda passa um pouco despercebido e não há muita divulgação por parte dos media. Na tua opinião, o que é necessário fazer para alterar este panorama?
MM: Eu acho que primeiro do que tudo temos que tentar mudar a mentalidade da nossa sociedade, mas como é lógico é um longo processo e que ainda vai demorar. No entanto, este factor está relativamente melhor em comparação à cinco ou dez anos atrás. Penso que o facto de termos feito um grande Europeu e de termos chegado à semi-final (contra todos os que diziam que íamos levar cabazadas e voltar logo a dia 9 para casa) e o jogo ter passado na televisão deu outra imagem e as pessoas (mesmo aquelas que nunca nos apoiavam ou nem sequer sabiam da nossa existência) conseguiram apreciar e valorizar o nosso talento gostando da maneira como jogamos futebol. Penso que ganhámos muito mais adeptos no futebol feminino português! Também acho que a Federação Portuguesa de Futebol está a fazer um óptimo trabalho no que toca a promoção do Futebol Feminino Português. Em termos de media, o jornal “a Bola” deu uma enorme ajuda visto que já temos direito à “nossa” página no jornal o que ajuda ainda mais na divulgação. Se tivesse que ter uma ideia para alterar este panorama imediatamente tentaria apostar na televisão porque a partir do momento que há televisão, vão aparecer patrocinadores originando maior movimento de outros clubes (e quem sabe os grandes de Portugal), suportando mais os que existem, sendo também uma forma de chegar mais perto da nossa sociedade e ajudar na maneira como esta olha para o futebol feminino em Portugal.

FA: Neste momento, qual é o teu maior sonho?
MM: O meu maior sonho é continuar o meu caminho sempre com a paixão que tenho pelo futebol e com a alegria de sempre. Tenho objetivos na minha vida e é por eles que trabalho e tento superar-me diariamente. Acima de tudo, sonho em ser feliz a fazer o que mais gosto! Se assim for muito outros sonhos poderão aparecer num futuro próximo.